Floresta e Ambiente
http://floram.org/article/doi/10.1590/2179-8087.125414
Floresta e Ambiente
Original Article Conservation of Nature

Banco de Sementes em Mina de Bauxita Restaurada no Sudeste do Brasil

Seed Bank in Restored Bauxite Mine in Southeast Brazil

Aurino Miranda Neto; Sebastião Venâncio Martins; Kelly de Almeida Silva; Aldo Teixeira Lopes; Raul de Abreu Demolinari

Resumo

O objetivo deste trabalho foi caracterizar o banco de sementes do solo em mina de bauxita restaurada dez anos após implantação do projeto de restauração. O estudo foi realizado em uma área onde ocorreu exploração de bauxita e posterior restauração florestal. Foram coletadas 40 amostras de solo superficial (0,25 × 0,30 × 0,05 m) para avaliação do banco de sementes pelo método de germinação em casa de sombra durante seis meses. Emergiram 2.489 plântulas, pertencentes a 69 espécies e 23 famílias botânicas, com densidade de 830 propágulos m–2. As famílias com maior densidade foram Poaceae e Cannabaceae. Houve maior proporção de espécies e indivíduos do grupo ecológico pioneiras e da síndrome de dispersão zoocórica. Não houve semelhança florística entre as espécies do plantio e o banco de sementes. Os resultados mostram que o banco de sementes pode fornecer aporte necessário à recuperação do ambiente após perturbações.

Palavras-chave

bioindicadores, restauração florestal, similaridade florística

Abstract

This study aimed to characterize the soil seed bank in a restored bauxite mine ten years after the restoration project. The study was conducted in a bauxite-exploited mine, which was restored with trees. We collected 40 samples of surface soil (0.25 × 0.30 × 0.05 m) to evaluate soil seed bank by germination method in shade house for six months. Results showed that 2,489 seedlings emerged, belonging to 69 species and 23 botanical families, with a density of 830 seedlings m–2. Poaceae and Cannabaceae were the families with higher density. A larger number of species and individuals were pioneer and zoochoric species. The soil seed bank of the restored area showed no difference in plant density and floristic composition between the border and the core study area. There was no floristic similarity between planted species and the seed bank. Results showed that the seed bank was able to supply species and individuals upon germination.

Keywords

bioindicators, forest restoration, floristic similarity

References

Angiosperm Phylogeny Group III. An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the order sand families of flowering plants. Botanical Journal of the Linnean Society 2009; 161(2): 105-121. http://dx.doi.org/10.1111/j.1095-8339.2009.00996.x.

Araújo MM, Oliveira FA, Vieira ICG, Barros PLC, Lima CAT. Densidade e composição florística do banco de sementes do solo de florestas sucessionais na região do Baixo Rio Guamá, Amazônia Oriental. Scientia Forestalis 2001; 59: 115-130.

Argel-de-Oliveira MM, Castiglioni GD, Souza SB. Comportamento alimentar de aves frugívoras em Trema micranta (Ulmaceae) em duas áreas alteradas do sudeste brasileiro. Ararajuba 1996; 4(1): 51-55.

Baider C, Tabarelli M, Mantovani W. The soil seed bank during Atlantic forest regeneration in Southeast Brazil. Revista Brasileira de Biologia 2001; 61(1): 35-44.

Batista JP No, Reis MGF, Reis GG, Silva AF, Cacau FV. Banco de sementes do solo de uma Floresta Estacional Semidecidual, em Viçosa, Minas Gerais. Ciência Florestal 2007; 17(4): 311-320. http://dx.doi.org/10.5902/198050981963.

Bazzaz FA, Pickett STA. Physiological ecology of tropical succession: a comparative review. Annual Review of Ecology and Systematics 1980; 11(1): 287-310. http://dx.doi.org/10.1146/annurev.es.11.110180.001443.

Braga AJT, Griffith JJ, Paiva HN, Meira AA No. Composição do banco de sementes de uma floresta semidecidual secundária considerando o seu potencial de uso para recuperação ambiental. Revista Árvore 2008; 32(6): 1089-1098. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-67622008000600014.

Brancalion PHS, Viani RAG, Rodrigues RR, Gandolfi S. Avaliação e monitoramento de áreas em processo de restauração. In: Martins SV, editor. Restauração ecológica de ecossistemas degradados. Viçosa: Editora UFV; 2012.

Brown D. Estimating the composition of a forest seed bank: a comparison of the seed extraction and seedling emergence methods. Canadian Journal of Botany 1992; 70(8): 1603-1612. http://dx.doi.org/10.1139/b92-202.

Budowski G. Distribution of tropical american rain forest species in the light of successional processes. Turrialba 1965; 15: 40-42.

Calegari L, Martins SV, Campos LC, Silva E, Gleriani JM. Avaliação do banco de sementes do solo para fins de restauração florestal em Carandaí, MG. Revista Árvore 2013; 37(5): 871-880. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-67622013000500009.

Costa RC, Araújo FS. Densidade, germinação e flora do banco de sementes no solo, no final da estação seca, em uma área de caatinga, Quixadá, CE. Acta Botanica Brasílica 2003; 17(2): 259-264. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-33062003000200008.

Costalonga SR, Reis GG, Reis MGF, Silva AF, Borges EEL, Guimarães FP. Florística do banco de sementes do solo em áreas contíguas de pastagem degradada, plantio de eucalipto e floresta em Paula Cândido, MG. Floresta 2006; 36(2): 239-250. http://dx.doi.org/10.5380/rf.v36i2.6455.

Couto HTZ. Metodologias para quantificação e monitoramento de biomassa e carbono em reflorestamento com essências nativas. In: Barbosa LM, coordenador. Anais do II Simpósio de Atualização em Recuperação de Áreas Degradadas com Ênfase em Matas Ciliares; 2008; Mogi-Guaçu. São Paulo: Instituto de Botânica; 2008. p. 54-63.

Dalling JW. Ecología de semillas. In: Guariguata MR, Kattan GH, editores. Ecología y conservación de bosques neotropicales. Cartago: Libro Universitario Regional; 2002.

Deluca TH, Aplet GH, Wilmer B, Burchfield J. The unknown trajectory of forest restoration: a call for ecosystem monitoring. Journal of Forestry 2010; 108(6): 288-295.

Figueiredo PHA, Miranda CC, Araujo FM, Valcarcel L. Germinação do banco de sementes do solo de capoeira em restauração florestal espontânea a partir do manejo do sombreamento. ex-situScientia Forestalis 2014; 42(101): 69-80.

Franco BKS, Martins SV, Faria PCL, Ribeiro GA. Densidade e composição florística do banco de sementes de um trecho de floresta estacional semidecidual no campus da Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG. Revista Árvore 2012; 36(3): 423-432. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-67622012000300004.

Gandolfi S, Leitão HF Fo, Bezerra CLF. Levantamento florístico e caráter sucessional das espécies arbustivo-arbóreas de uma floresta semidecídua no município de Guarulhos, SP. Revista Brasileira de Biologia 1995; 55: 753-767.

Grombone-Guaratini MT, Rodrigues RR. Seed bank and seed rain in a seasonal semi-deciduous forest in south-eastern Brazil. Journal of Tropical Ecology 2002; 18(05): 759-774. http://dx.doi.org/10.1017/S0266467402002493.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Manual técnico da vegetação brasileira. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE; 2012. Manuais Técnicos em Geociências.

Ivanauskas NM, Monteiro R, Rodrigues RR. Similaridade florística entre áreas de Floresta Atlântica no Estado de São Paulo. Brazilian Journal of Ecology 2000; 1: 71-81.

Johnson RA, Wichner DW. Applied multivariate statistical analysis. New Jersey: Prentice-Hall; 1988.

Kunz SH, Ivanauskas NM, Martins SV, Silva E, Stefanello D. Análise da similaridade florística entre florestas do Alto Rio Xingu, da Bacia Amazônica e do Planalto Central. Revista Brasileira de Botanica. Brazilian Journal of Botany 2009; 32(4): 725-736. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-84042009000400011.

Lopes KP, Souza VC, Andrade LA, Dornelas GV, Bruno RLA. Estudo do banco de sementes em povoamentos florestais puros e em uma capoeira de Floresta Ombrófila Aberta, no município de Areia, PB, Brasil. Acta Botanica Brasílica 2006; 20(1): 105-113. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-33062006000100010.

Lopes RF, Branquinho JA. Jazidas de bauxita da Zona da Mata de Minas Gerais. In: Schobbenhaus C, Coelho CES, coordenadores. Principais depósitos minerais do Brasil. Brasília: Departamento Nacional da Produção Mineral; 1988. vol. 3.

Martins SV, Almeida DP, Fernandes LV, Ribeiro TM. Banco de sementes como indicador de restauração de uma área degradada por mineração de caulim em Brás Pires, MG. Revista Árvore 2008; 32(6): 1081-1088. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-67622008000600013.

Martins SV. Recuperação de áreas degradadas: ações em áreas de preservação permanente, voçorocas, taludes rodoviários e de mineração. Viçosa: Aprenda Fácil; 2013.

Miranda A No, Kunz SH, Martins SV, Silva KA, Silva DA. Transposição do banco de sementes do solo como metodologia de restauração florestal de pastagem abandonada em Viçosa, MG. Revista Árvore 2010; 34(6): 1035-1043. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-67622010000600009.

Miranda A No, Martins SV, Silva KA, Gleriani JM. Banco de sementes do solo e serapilheira acumulada em floresta restaurada. Revista Árvore 2014; 38(4): 609-920. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-67622014000400004.

Moita JM No, Moita GC. Uma introdução à análise exploratória de dados multivariados. Quimica Nova 1998; 21(4): 467-469. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-40421998000400016.

Monaco LM, Mesquita RCG, Williamson GB. Banco de sementes de uma floresta secundária amazônica dominada por Vismia.Acta Amazonica 2003; 33(1): 41-52. http://dx.doi.org/10.1590/1809-4392200331052.

Mueller-Dombois D, Ellenberg H. Aims and methods of vegetation ecology. New York: John Wiley & Sons; 1974.

Reflora. Lista de Espécies da Flora do Brasil [online]. 2013. [citado em 2014 set. 3]. Disponível em: http://floradobrasil.jbrj.gov.br/

Rodrigues BD, Martins SV, Leite HG. Avaliação do potencial da transposição da serapilheira e do banco de sementes do solo para restauração florestal em áreas degradadas. Revista Árvore 2010; 34(1): 65-73. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-67622010000100008.

Rodrigues RR, Gandolfi S. Restauração de florestas tropicais: subsídios para uma definição metodológica e indicadores de avaliação e monitoramento. In: Dias LE, Mello JW, editores. Recuperação de áreas degradadas. Viçosa: UFV/SOBRADE; 1998.

Rodrigues RR, Nave AG. Heterogeneidade florística das matas ciliares. In: Rodrigues RR, Leitão-Filho HF, editores. Matas ciliares: conservação e recuperação. São Paulo: Edusp/FAPESP; 2000.

Rodrigues RR, Torres RB, Matthes LAF, Penha AF. Trees species resprouting from root buds in a semideciduous forest affected by fires, Campinas, southeast Brazil. Brazilian Archives of Biology and Technology 2004; 47: 127-133. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-89132004000100017.

Schorn LA, Fenilli TAB, Krieger A, Pellens GC, Budag JJ, Nadolny MC. Composição do banco de sementes no solo em áreas de preservação permanente sob diferentes tipos de cobertura. Floresta 2013; 43(1): 49-58. http://dx.doi.org/10.5380/rf.v43i1.21493.

Shepherd GJ. Fitopac 2.1. Campinas: Departamento de Botânica, Universidade Estadual de Campinas; 2010.

Silva KA. Avaliação de uma área em restauração pós-mineração de bauxita, município de Descoberto, MG [dissertação]. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa; 2013.

Silva-Weber AJC, Nogueira AC, Carpanezzi AA, Galvão F, Weber SH. Composição florística e distribuição sazonal do banco de sementes em Floresta Ombrófila Mista Aluvial, Araucária, PR. Pesquisa Florestal Brasileira 2012; 32(70): 193-207. http://dx.doi.org/10.4336/2012.pfb.32.70.77.

Sorreano MCM. Avaliação de aspectos da dinâmica de florestas restauradas, com diferentes idades [dissertação]. Piracicaba: Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo; 2002.

van der Pijl L. Principles of dispersal in higher plants. 3rd ed. New York: Springer-Verlag; 1982.

Vázquez-Yanes C, Orozco-Segovia A. Signals for seeds to sense and respond to gaps. In: Caldwell M, Pearcy R, editores. Ecophysiological processes above and below ground. New York: Academic Press; 1994.
 

58dd11ad0e8825595858baec floram Articles
Links & Downloads

FLORAM

Share this page
Page Sections